15° aniversário da Rede Brasileira

E os jovens têm casa em muitos lugares...

Todo serviço sistemático à juventude, seja na educação em geral seja na evangelização da juventude exige estruturas de apoio que acompanhem, amadureçam e sistematizem o que se relaciona com o fenômeno juvenil. Não se faz inútil perguntar: fora os meios mais “formais” como colégios, escolas, universidade, movimentos e pastorais, coordenadorias de juventude, secretarias de juventude etc. todos com seus objetivos característicos, que “estruturas de apoio” a juventude encontra para crescer como cidadão e como personalidade de fé amadurecida?

Podemos dizer que o “assessor” da Pastoral da Juventude nos diversos níveis (grupo, paróquia, diocese, regional, nacional, latino-americano...), que os/as “liberadas” (nos diversos níveis), que a sala da Pastoral da Juventude etc. são “estruturas” de apoio. Quando falamos em “Centros e Institutos de Juventude” (a serviço da evangelização da juventude) estamos falando de “estruturas” de nível mais “especializado”. São “Centros” que se dedicam a assessorias, à formação e à pesquisa sobre juventude e evangelização da juventude, exigindo um preparo mais exigente, nascido do estudo e da prática.

A Pastoral da Juventude do Brasil e da América Latina em sua dinamicidade e prática foi muito feliz quando fez nascer duas “Redes” especiais dessas estruturas de apoio: uma em nível latino-americano e outra em nível de Brasil. Há dois “Institutos” latino-americanos que foram e são muito importantes na montagem de “estruturas de apoio”: o ISPAJ (Instituto Superior de Pastoral Juvenil) de Santiago do Chile, com início em 1972 e ativo até hoje; e o IPLAJ (Instituto de Pastoral Latino-Americana de Juventude), de Bogotá, também dos anos 70 – que não existe mais, mas deixou muitas sementes. Uma dessas sementes é o Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre, nascido em 1980 e muito inspirado na experiência colombiana.

Queremos falar, aqui, da “Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude” e nossa “conversa” se baseará na apresentação que eles fizeram deles mesmos na 44ª Assembléia Nacional dos Bispos do Brasil em maio de 2006.

- Quantos Centros compõem essa “Rede Brasileira” e onde se localizam?

Os Centros e Institutos de Juventude são 10, mas há 6 “Centros Maristas de Pastoral” (CMP) que são considerados como uma experiência só. Estes “Centros Maristas” localizam-se em Belo Horizonte, Montes Claros e São Vicente de Minas (MG), em Colatina (ES), em Tocantins (Palmas), em Natal (RN) e em Ceilândia (DF). O primeiro desses “Centros Maristas” foi fundado em 1992 .

Os outros 09 Centros são: 1) o IPJ Leste II, em Belo Horizonte, fundado em 1987; 2) o Centro de Capacitação da Juventude, em São Paulo, fundado em 1975. É o mais antigo dos “Centros” do Brasil, sendo conhecido como “a editora” do material da Pastoral da Juventude do Brasil; 3) o Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre, o primeiro “Instituto” do Brasil, fundado no estilo de ser um centro de formação, assessoria e pesquisa; 4) o Centro Pastoral de Juventude Anchietanum, de São Paulo. Embora tenha seus inícios em 1953, só anos depois entrou no “espírito” da Rede de Centros e Institutos de Juventude; 5) o Instituto Paulista de Juventude, de São Paulo. É o mais novo Centro da Rede, levado por um grupo de leigos e fundado em 2003; 6) o Instituto de Formação Juvenil do Maranhão, em São Luiz, fundado em 2001; 7) o Centro de Formação da Juventude Aiaká, de Manaus, no Amazonas, fundado em 1994; 8) a Casa da Juventude Padre Burnier, de Goiânia, fundada em 1984. Embora todos tenham suas características próprias, o IPJ Leste II, o Aiaká e a Casa da Juventude Padre Burnier tiveram muita influência do IPJ de Porto Alegre; 9) o Centro Pastoral Santa Fé, de São Paulo, com sede no km 25 da Rodovia Anhangüera, com inícios em 1996.

Podemos dizer que há três “fenômenos” diferenciados: o dos Centros Maristas de Pastoral, esforçando-se em reforçar seu carisma na Igreja, o “Anchietanum” que passou por uma metamorfose em direção à Pastoral da Juventude e o Centro de Capacitação da Juventude surgido com um fim específico, mas com presença sempre significativa na história da “Rede” brasileira e latino-americana de Centros e Institutos. Os “Centros” localizam-se em 9 Estados, destacando-se São Paulo (4) e Minas Gerais (4). Os outros Estados são Amazonas, Tocantins, Maranhão, Rio Grande do Norte, Espírito Santo, Goiás e Rio Grande do Sul.

- Quantos são os leigos envolvidos nestas 16 “obras” a serviço da evangelização juvenil?

Os agentes leigos envolvidos nessas obras são, ao todo, 425, estando 120 compromissados com projetos. Destacam-se, em número de agentes, especialmente, três: os Centros Maristas de Pastoral (111), a Casa da Juventude Padre Burnier e o Centro de Capacitação da Juventude, ambos com 60, mas também o Centro Pastoral Anchietanum e o Centro Pastoral Santa Fé contam com 50 ou mais. Menos leigos envolvidos tem o Instituto de Formação Juvenil do Maranhão (5) e o Centro de Formação Aiaká (15). Os outros contam de 21 a 25 leigos envolvidos na obra. O Instituto de Formação Juvenil do Maranhão conta com 22 agentes responsáveis em projetos. É de se acentuar que nenhuma desses “Centros” dependem de alguma diocese; ou dependem de Congregações Religiosas ou são autônomos.

- Os Centros e Institutos são, portanto, iniciativa de Congregações?

Inspiradas no seu carisma por um trabalho com a evangelização da juventude, as Congregações responsabilizam-se por 14 (ou 8) desses Centros e Institutos. Podemos dizer que há, neste momento, 39 Congregações ou Províncias Religiosas envolvidas, diretamente, nestes Centros e Institutos: 7 no IPJ do Leste II (Belo Horizonte), 1 no Centro de Capacitação da Juventude, 10 no Instituto de Pastoral de Juventude de Porto Alegre, 1 no Centro Pastoral Anchietanum, 16 no Instituto de Formação Juvenil do Maranhão, 1 nos Centros Maristas de Pastoral, 1 na Casa da Juventude Padre Burnier e 2 no Centro Pastoral Santa Fé. Não contam com o apoio direto de Congregações ou Províncias o Instituto Paulista de Juventude (São Paulo) e o Centro de Formação da Juventude Aiaká (Manaus).

Há, ainda, 27 Congregações ou Províncias que participam de forma indireta na condução dessas obras: IPJ Leste II (3), Centro de Capacitação da Juventude (1), IPJ de Porto Alegre (2), Centro Pastoral Anchietanum de Juventude (12), Centro de Formação da Juventude Aiaká (1), Centro Marista de Pastoral (2), Casa da Juventude Padre Burnier (6). No Centro Pastoral Santa Fé há dois membros da Igreja Presbiteriana. Significam, em todo o caso, 66 Congregações ou Províncias Religiosas envolvidas neste serviço em prol da evangelização da juventude.

- Os Centros e Institutos surgiram quando?

Fora os “pré-históricos” (antes de a Pastoral da Juventude existir como pastoral orgânica) – que são o Centro de Capacitação da Juventude e o Centro e o Centro Pastoral Anchietanum de Juventude, há três que nasceram na década de 80 (IPJ Leste II, o IPJ de Porto Alegre e a Casa da Juventude Padre Burnier), quatro que surgiram na década de 90 (Centro de Formação da Juventude Aiaká, o Centro Marista de Pastoral de Belo Horizonte, o Centro Marista de Pastoral de Palmas e o Centro Pastoral Santa Fé) e cinco no novo milênio (Instituto Paulista de Juventude, os Centros Maristas de Montes Claros, São Vicente de Minas e Colatina e o Instituto de Formação Juvenil do Maranhão).

- A Rede tem objetivos definidos?

Cada “Centro” tem sua autonomia e, por isso, se rege segundo seu marco referencial. Para formar uma “Rede”, contudo, há três grandes objetivos explicitados: a) ser uma presença qualificada e profética junto ao serviço da evangelização da juventude; b) atuar em rede para a formação, assessoria e pesquisa do mundo dos adolescentes e jovens do Brasil e da América Latina, escutando suas angústias, necessidades e demandas, pontuando respostas, oferecendo metodologia, formação e subsídios sem substituir o protagonismo juvenil ou interferir em sua organização; c) favorecer o intercâmbio de experiências de formação e materiais entre os Centros e Institutos, criando metodologias que fundamentem e integrem a caminhada, superem o isolamento, ampliem relações e fortaleçam a evangelização e a Pastoral da Juventude libertadora, sempre situadas no contexto das mudanças culturais da realidade da juventude empobrecida do Brasil e da América Latina.

Em vista disso, a cada dois anos os Centros do Brasil se encontram por alguns dias, tendo um objetivo específico para cada encontro. O mesmo sucede com os Centros e Institutos em nível de América Latina. Há Institutos ligados à Rede em Montevidéu, Buenos Aires, Santiago, Lima, Assunção, Estados Unidos (hispanos) e Caracas.

- E o que fazem estes Centros?

Num levantamento feito junto aos Centros e Institutos em 2005 aparecem 625 atividades diferentes. Mesmo tomando em conta projetos mais relevantes, é difícil sintetizar tudo que se faz em muitos lugares, de formadas variadas. Há, contudo, algumas palavras que fazem vislumbrar o colorido dessas atividades: a) Cursos em diferentes níveis para assessores e lideranças; b) Seminários, com os mais variados matizes; c) Oficinas, também dos mais diferentes interesses; d) Publicações; e) Congressos; f) Pesquisa; g) Assistência Social a jovens. Podem destacar-se atividades no campo da liturgia, da psicologia, da bíblia, da espiritualidade em geral, da comunicação e da arte. Segundo dados oferecidos pelos Centros, no ano 2005 atingiram-se – nestas diversas atividades – 58.694 agentes jovens e adultos. Todos estes Centros se tornam, com o tempo, referências de formação para a juventude, tanto em nível diocesano, regional e nacional. Navega-se desde os dias de fim-de-semana até um Curso de Pós-Graduação sobre Adolescência e Juventude.

Hilário Dick, SJ
Maio de 2006.

¹ Os Irmãos Maristas têm, ainda, outros centros semelhantes em Santa Catarina e no Paraná.

 

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